Saiu o animê? Vai atrás do jogo…
27.10.08, às 9:23, em Otaku é a MÃE!Não importa se você não tem dinheiro…
Não, não vou indicar jogos pra você ir atrás. Essa é a idéia de OUTRA coluna. É do fenômeno que vou tratar. Uma prática comum em filmes de ação/aventura/adaptações/qualquer coisa Disney/Dreamworks é de que receba antes ou durante o lançamento do filme (e em alguns casos DEPOIS) uma versão videogamística, geralmente para todas as plataformas. “Pra agradar ao público que quer entrar no clima do filme?” É… Vai nessa.
Nem todas as empresas gostam de fazer o papel de advogadas do diabo e assumirem as adaptações, principalmente adaptações das adaptações. “O mangá, que virou animê, que virou videogame” parece até piada. A EA, por exemplo, é uma que trabalhou por anos colocando nos computadores e consoles caseiros os jogos de Senhor dos Anéis e Harry Potter. Recentemente ela caiu fora, não tava mais aguentando ficar com o papel de “Só sobrevivo porque adapto”, rótulo até comum, principalmente nas produtoras nipônicas. Ou vai dizer que conhece muitos jogos originais da Bandai?
A “Mãe” da gameoteca de muito otaku por aíE aí fica a dúvida: Por que as adaptações são tão criticadas? Pra ser sincero, eu não joguei tantos jogos oriundos de animês assim. Possivelmente a maioria dos Dragon Ball e Naruto de PlayStation 2, um ou outro de outra plataforma. Desses todos, mais da metade vingou o espírito do produto original, desconsiderando a qualidade do mesmo, e nos presenteou com horas de diversão. O problema são os outros. Se te pedir pra enunciar alguns jogos bons, você vai lembrar provavelmente de jogos muito parecidos, da mesma série. Mas, se pedir por jogos ruins, aí provavelmente você terá AQUELA lista de porcarias que nunca deveria ter comprado. É, no mundo dos mangás e animês isso é bem comum, não é só Hollywood que produz muito material só pra ganhar uns trocadinhos.
Jogos ruins de animês não são ruins só por serem. Uma série de fatores contribui. Aliás, como você julga que um jogo é um saco quando você o adquire? Por que não entende a porcaria do enredo absurdo que tem mais buracos que a sua meia da segunda série? Por que os gráficos são tão feios que você não sabe se o que o cara tem na mão é um controle de Wii ou um salame embolorado? Por que você fica perdido logo nos primeiros dez minutos já que o jogo é tão bugado que você não consegue completar nem o tutorial? Tá, tudo isso ajuda, mas os jogos de animê tem um sabor extra, tipo a borda de catupiry: Eles têm todo um universo por trás do game, algo canônico que deveria ser respeitado. Deveria, nem sempre é. É aí que os jogos ruins podem pecar pra valer: Um jogo tão fidedigno que chega a ser chato ou um jogo com NADA a ver e que merecia ter outro nome, talvez safando do mármore do inferno.
Ok, é ruim falar, falar e falar e não dar exemplos. Vamos utilizar os jogos da série FullMetal Alchemist, famosa no Brasil recentemente e com o mangá ainda em publicação. FullMetal estourou por sua trama inteligente e sua narrativa sem enrolações, contida no espaço de cerca de 50 episódios. Logo, um jogo da série deveria ter os mesmos padrões, certo? CERTO?!? Pois bem, para que não fizessem uma trama idêntica ao animê, eles criaram dois jogos com tramas COMPLEMENTARES ao animê. Sentiu o espírito da coisa? Eles conseguiram uma brecha na história original e enfiaram um jogo inteiro ali. O jogo tem tudo que a série trata, tem gráficos bonitos e até mesmo uma trama complexa. Então o que poderia dar errado? Ele é um bom caso de jogo que não pode ser jogado por quem não conhece a origem. Ou melhor, até pode, mas quem jogar pode achar extremamente broxante. É o caso de material dedicado a um público específico, quem vê de fora não entende. E esse é outro defeito imenso dessa gama de jogos.
Tá, talvez eu tenha exagerado na complexidade…Aí entra o bom exemplo de Dragon Ball Z. Metade dos jogos feitos para essa série são um lixo. A outra metade é o tipo de jogo que você pode não conhecer nada, mas se anima a jogar pela facilidade, pelo estilo de desenho. Jogos assim é que reciclam a indústria e vendem muito. E atravessam o mar, conseguindo a graça de ter sua linguagem traduzida pra inglês. Talvez este seja o maior de todos os bloqueios para jogos de animê. A fama do desenho chega muito antes dos jogos, que, ás vezes, sequer dão as caras por aqui, mesmo depois do animê. Jogos bons, que poderiam salvar o gênero continuam na língua madre. E… A não ser que você tenha dinheiro tempo para ir atrás de um curso de japonês, vai ficar com aquela porcaria que comprou outro dia mesmo.
Até sua namorada pode jogar, véio… Só não sei se é boa idéia…















