Por que é tão fácil não gostar de eventos de animê?
12.04.10, às 21:30, em Otaku é a MÃE!Os motivos pelos quais VOCÊ é um porre que fica reclamando.
Foi só eu citar eventos no último texto que todo o resto (e olha que tinha coisa pra caramba) foi ignorado ou deixado de lado. Levou-me à conclusão: Vocês são uns chatos que só sabem falar mal de evento. Do tipo crônico, nem bons argumentos dão. Assim, seguindo a mania de listas, resolvi enumerar (de um jeito bem diferente da Rapousa, pra deixar claro) motivos para não gostar de eventos e aproveitar e comentar o que eu vejo AQUI, em Santa Catarina (pra quem não sabe, onde moro), que me levam a gostar dessa budega. E se vocês não gostarem, continuem não gostando, é mais material de pesquisa pra eu escrever o OEAM toda semana… Ou quase.
Para começar, uma declaração de nosso revisor/pseudo-redator Entravix:
Então, eu acho que eventos são dignos de qualquer área, assim como existem shows pra quem gosta de música ou congregações acadêmicas para os pesquisadores, porém as pessoas se sentem incomodadas com os otakus por eles serem mais “alternativos”, ou seja, elas sentem a corriqueira normalidade da sociedade ocidental fundada na Revolução Francesa ser ameaçada.
Er… Claro, claro, Entravix, faz todo sentido. Continuando… Apesar do Entravix viajar (ele é cientista social, perdoem a criatura marxista) ele falou algo certo: Você vai a eventos e vai encontrar otakus. Mais do que para fãs de animê, os eventos são pontos de encontro e tanto organização quanto público têm de estar cientes disso. Ou seja, se você vai a um evento, vai ver tudo aquilo que citei no último texto, assim como, se você FAZ o evento, tem de organizar de forma que seja do agrado de quem vai. Você não faz um evento pra VOCÊ gostar, mas para os outros gostarem, e é possível unir as duas coisas. Assim, cito 4 motivos para um evento não prestar:
- Animekê, Cosplay, Quiz. PONTO.
Certo… Eu paguei 15 reais para entrar no evento. No cartaz dizia que haveria campeonatos de animekê e cosplay, além de um quiz, tudo no domingo, a partir das três da tarde. Beleza! Talvez eu goste disso. Então, bóra matar tempo até lá… Fazendo O QUÊ, pode me dizer? Muitos organizadores esquecem de preencher bem o tempo entre as atrações principais do evento, acreditando que estandes vão cobrir esse buraco. Como bom proletário, é preciso dizer: Dinheiro não dá em árvore e não é sempre que quero gastar meu rico dinheirinho em qualquer porcaria. Mais, há eventos que nem os próprios estandistas parecem empolgados em estar ali, quanto mais trazem coisas que realmente quiséssemos comprar. Aí, o que vemos é um bando de perdidos, cada vez mais infelizes, esperando a hora de ir pro teatro/palco/arena/canto esquecido do evento pra tentar ver a atração pela qual pagaram (mal). E aí entra o maior problema da falta do que fazer: A má vontade.
Pense em você, público, há mais de quatro horas em pé andando pelo evento (já que nunca tem lugar pra sentar, a não ser que saia do local), já impaciente por não aguentar passar mais uma vez pela área de games, RPG ou algo assim que você poderia estar fazendo em casa. E então anunciam que vai começar (atrasado) o evento principal. Aí você corre, vai lá, pega um lugar ruim e… Não te agrada. Nem um pouco. Sério, cara, é mó crap você chegar perto do palco e não conseguir se empolgar nem um pouco, mesmo que a apresentação em grupo seja hilária. Ás vezes, simplesmente, é porque você perdeu toda a vontade de se divertir. E aí, a culpa é tanto sua quanto do evento. É uma droga.
Posso falar pelos eventos que já fui até hoje, é bem comum você ir a um deles e, por causa da falta de atrações, cansar. Ao menos aqui no estado as coisas têm mudado, aos poucos. O Aniventure de Itajaí é absurdamente cheio do que fazer, tanto que nem dá pra ver tudo. O Wasabi é uma baderna organizada, e você sai rindo do evento. E o AnimeSports une duas coisas desconexas: Nerds/otakus e Esportes e funciona bem. Só saber montar a desgraça, focando no público, sempre no público.
- Mistura, mistura, até que estraga
Eventos de animê são de ANIMÊ, certo? Então pra quê, e eu repito PRA QUÊ, misturar com tudo que encontrar pela frente porque acha que vai ser engraçado? Não, cara, não faz isso. Vai que piora o que não tava bom? A verdade é… Otaku é tudo barraqueiro, gosta de fazer festa, vez ou outra rola uma piada muito engraçada envolvendo… Sei lá, Rebolation? Mas como toda piada, repetida à baga cansa. E olha que cansa mesmo, deixando aquele sorriso amarelo e o clima constrangedor de “fiz caca”. Quer um exemplo? Então tá. Você está lá, naquele evento maneiro, que conseguiu te fazer ficar feliz, mostrando atrações que você não sabia que queria, mas queria. Aí, o apresentador, aquele maldito, vai até o palco e praticamente inicia uma rave. Pior, ele faz isso com músicas de rave de verdade, não músicas de animê. Todo o clima do evento vai pelo ralo em um minuto e meio.
A grande questão é: Vale a pena unir pontos muito distintos? Se for feito com consciência, pode valer. Exemplo positivo: No Wasabi Show foi criado um tal de Beija Otaku, uma espécie de A Fila Anda (aquele programa péssimo da MTV). Só que no Beija Otaku, as situações são engraçadas e muita gente ri. E funcionou. Continua sendo um tanto idiota? Bom, vocês, que estão vestidos de Pikachu, não podem reclamar. E admitam, foi bem engraçado ver aqueles seis caras pagando pau pela guria. FATO.
Então, recomendação à quem for ao evento: Não gostou de algo ou achou que a porcaria fedeu? Avise aos organizadores. É papel deles testar, fazer laboratório, e depois analisar os resultados para ver se podem continuar investindo ou se escondem a sujeira debaixo do tapete, envergonhados pelo que foi feito. Tipo você no dia seguinte da festa da faculdade.
- Regras, restrições e o segurança chato
Não leve armas brancas. Não beba bebida alcóolico. Não beije de língua. Não chegue perto do palco. Não faça balbúrdia. Não respire. Claro, regras são necessárias para que um evento não passe do ponto e se torne uma guerra civil ou uma cena de crime. Até aí tudo bem, é preciso ser seguro. Mas alguns eventos aparentemente tiveram de vender a alma para que pudessem utilizar o local ou, pior, esqueceram o que é ser público e colocam tantas barreiras para a diversão alheia que fica impossível você não ficar mal-humorado ou até mesmo a perigo, pronto pra causar confusão.
Existem pessoas que se aproveitam de tantas regras para falar mal do evento, principalmente se tem aquele segurança FDP que gruda no cara que menos tá aprontando, mas que tá tocando na droga da mureta. A DROGA DA MURETA! (público do AniVenture, vocês me entenderam). Nesse caso, não há evento que se salve, o estrago está feio. Então, para que os eventos não sejam tão restritivos, uma trégua é necessária: público, não encha o saco, não faça merda, não detone o local; Organização, sério, pare de andar com gente séria demais, vocês estão virando os pais de seus pais e nem sempre isso é bom. E tenho dito.
- Bom, o fim.
Pode parecer idiota, mas um grande problema que tenho visto nos eventos é a forma como eles acabam. Não só de eles não se repetirem mais porque não deu lucro ou porque os membros se separaram, mas o fim do evento no último dia, quando todos estão esperando para pegar suas caravanas pra casa ou simplesmente atravessar a rua, pois moram na frente do evento. A melhor coisa a se esperar é, bom, a organização encerrar com estilo, agradecendo, mandando todo mundo embora e que voltem na próxima vez. E nem sempre acontece. Em eventos que há o show, vemos os estandes se desmontando, o guarda-volumes fechando e até mesmo o pessoal do staff relaxando no canto. Tudo bem, eles merecem, ser staff é uma desgraça e você fica totalmente exausto, apesar de ser muito divertido no final. A questão é que, se você aguentou um evento inteiro, mesmo que não estivesse satisfeito, um encerramento decente é esperado.
Eu já vi certos casos em que você só sabia que o evento tinha acabado porque todo mundo saiu e os estandes estavam no chão, totalmente desfeitos. E é um soco no estômago, porque você percebe que o evento estava tão ruim que você nem notou que acabou. Sabe o quanto isso é brochante? Aí aparecem aqueles cartazes anunciando o próximo e, mesmo que seja algo totalmente diferente, uma equipe diferente, você não tem saco nem vontade de ir ver, já que o último não te agradou. E assim começa a repulsa por eventos. Admito, se eu tivesse ido em apenas alguns eventos que fui, minha raiva seria igual à de vocês, mas, por sorte, eu pude ver muito evento bom nos últimos anos, principalmente indo de caravana.
Não desistam de eventos, não os repudiem. Os que vocês conhecem não agradam? Peguem um ônibus, façam excursão, conheçam outros locais e então esfregue na cara dos organizadores da sua cidade ou estado como pode ser um evento divertido, sem precisar ser a convenção nacional de animê. Ás vezes eventos pequenos são muito melhores do que mega-eventos, simplesmente porque você consegue curtir as atrações e não se sentir apenas mais um ingresso na multidão.
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