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Originalidade X Produtividade

19.07.10, às 22:30, em Otaku é a MÃE!

A difícil missão de fazer vender seu abacaxi na feira dos animês.

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Imagine você na seguinte situação: Você é um dos produtores de uma grande empresa de animês, que tem mantido seu bom nome no mercado, sempre lançando novidades. A última temporada foi boa, ou, na pior das hipóteses, não chegou a decepcionar, mas seus patrões querem mais e mais e seu prazo é apertado, afinal, assim como a tevê estadounidense, a japonesa não perdoa e cancela animês quando bem quer. Como você está tenso, necessita entregar um projeto agradável, faz aquele apelo divino. Procurar um mangá com um plot inovador, mesmo que possa ser difícil adaptar pra versão televisiva? Naaaaaaaah, simples demais. Talvez continuar aquela série que só teve uma temporada e que terminou no auge, deixando os fãs de mangá em fúria? Vez ou outra, talvez. Pegar a mesma trama, baseado em um mangá padrão ou uma idéia feita pra tevê, e lançar com uma nova roupagem, repetindo ad infinitum situações e piadas? Opa! Vai esse mesmo!

O tema desse post saiu de uma conversa em um fórum que participo: Entra ano, sai ano, a cada nova temporada vem menos animês originais, tanto na questão de caras novas quanto de conceitos novos. Não somente enredos similares, mas fórmulas idênticas utilizadas com umas poucas tentativas de mudar o direcionamento do animê. Para ser mais direto: Cada vez que um K-On! faz sucesso, nove clones são vistos, ainda que K-On! já seja resultado de uma reciclagem de material. Logo, um ou outro animê de temporada escapa do modus operandi das grandes produtoras e se tornam cada vez mais raros animês sem Moe, Ecchi ou cenas extremamente violentas. E os fãs vão sentindo falta das obras completamente originais, que não sejam versões de mangás.

A pergunta principal é: Isso é prejudicial à indústria do animê? Realmente impede que saiam boas produções? Qualidade é sinônimo de Originalidade? Para as três perguntas a resposta é não, com certeza. Pensem bem, se originalidade fosse critério para que um animê seja bom, estaríamos praticamente vendo apenas porcaria. Ou vocês acham que tudo que sai com aquele selo de “indie” (termo que realmente não serve pras animações japonesas) são 100% novidade? O dúbio do termo “ORIGINAL” é que ele pode ser sim algo inovador, mas a tendência é que ele seja experimental, e bem sabem os estudiosos que nem todo teste (na realidade, é bem o contrário) dá certo de primeira. Aí uma idéia boa vai pro ralo e fica lá por uns tempos até que alguém resolva ressuscitar pra tentar de novo. Sejamos justos, na maior parte do tempo se não gostamos de algo, descartamos antes que piore e com isso minamos as chances de que dê lucro para a produtora, que logo cancela. É assim em todos os pontos do mundo e todod fã tem seus problemas em aguentar algo evoluir até se tornar bom. Talvez por isso que adaptações de mangás sejam tão queridas, pois já fizeram sucesso em uma mídia antes de ir para a outra, logo, é uma aposta segura.

Para uma análise mais profunda, dêem uma olhada nos últimos anúncios do Expresso Oriente. Posso citar dali o retorno de Air Gear em um OAD, To-Love Ru com uma continuação e um Spin-Off de Seikon no Qwaser, que apesar de parecer não fazer números expressivos, continua com o buff da sua produtora e um cuidado acima do normal para animês do gênero. Desses todos, há um detalhe em comum: O Ecchi, seja na forma de alívio cômico do primeiro, como tema de piadas do segundo ou elemento suplementar do terceiro. Causa certo incômodo? Assim como tudo em excesso, sim, mas como já disse em outra coluna, o negócio é medir bem e saber separar o joio do trigo. Pensem em Hollywood e sua onda de adaptações de quadrinhos constante, que nos inunda com filmes nada distoantes um do outro, que não uma surpresa quando não é FAIL. É questão de tendência, e o que vai contra a maré tem chance de conseguir imortalizar… Ou afundar como o Titanic.

Quanto mais competitiva ficar a tevê japonesa, mais os grandes estúdios vão ficar nesse ciclo de reciclagem e renovação do material que faz sucesso. É inevitável, é a tentativa de sobrevivência. Bones, Ghibli, KyoAni, todos sofrem do grande mal da repetição, e o principal culpado disso pode ser, provavelmente, aquele que mais reclama: Seu receptor. Pode-se culpar também a economia, mas entrar em discussões de culpa é cair na gandaia das reclamações e não vai contribuir. O melhor a fazer é continuar tentando achar algo de bom nas temporadas vindouras. E eu aqui assistindo reprises.

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5 comentários

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Mitsudomoe, HOTD, Shiki, Cat Shit One, B Gata H Kei, Working!, Arakawa, So Ra No Wo To, Hanamaru Kindergarten.

É, quanta falta de originalidade. Porque eu já vi tantos animes sobre zumbis, animais de pelúcia em guerra, garotas loucas por sexo e jardins de infância. E isso tudo é só do último ano.

ARIA, Claymore, Cross Game, Detroit Metal City, ef – a tale of memories, Eve no Jikan, Hayate no Gotoku, Gake no Ue Ponyo, One Outs, Ookiku Furikabutte, Queen’s Blade, Saki, Seirei no Moribito, Shigofumi, Spice and Wolf, Tokyo Magnitude 8.0, Toradora, Umineko, Higurashi, Taishou Yakyuu Musume, NHK ni Youkoso.

Cara, se eu fosse contar quantas Neo Venezias, ou “Tokuchi Toua”s, ou terremotos eu vi em animes só no último ano eu acho que eu pararia de assistir animes.

Mas sinceramente, se você está reclamando da falta de originalidade em animes ou você é retardado(não muito provável) ou você está olhando no lugar errado(mais provável). Além do que, sempre existiram os animes descartáveis e cópias, mas antes as pessoas não eram tão chatas.

André

19/07/10 | 23:34 | #

Tem leitor que eu nunca consegui descobrir se está reclamando do texto ou concordando com ele. @André, você é um deles. De qualquer forma, se você colocou que eu estou reclamando de originalidade, é porque leu o segundo parágrafo e veio direto comentar.

black

20/07/10 | 0:07 | #

Pra falar a verdade @Andre, não há muitos animes com a temática sendo zumbis, fora que HOTD é um ótimo anime, fazendo várias referências(até o momento) de jogos/filmes sobre zumbis.

“É inevitável, é a tentativa de sobrevivência. Bones, Ghibli, KyoAni, todos sofrem do grande mal da repetição”
A KyoAni que o diga… Haruhi 2009 foi uma bomba, “repetiram” o mesmo episódio umas 8 vezes, fora que o traço estava péssimo, parecia que a Yui de K-on havia pego o papel da Haruhi.

Bem, o problema com os estúdios de animes vem se agravando, ficando em uma posição bem insegura. Neste ano podemos ver que a quantidade de animes que passarão será bem menor comparada com os anos anteriores. Os estúdios de animes estão ficando sem recursos(Finada Gonzo) e só estão apostando em novels/mangás que estão fazendo sucesso. A quantidade de animes originais(animes não baseados em algo) lançados vem diminuindo, mostrando o medo dos estúdios em lançar algo que pode não dar lucro. Porém, ao manterem essa posição, não perceberam que estavam afundando. A “bolha moe” que estourou ano passado mostrou isso: reciclar e usar a mesma receita de bolo não está mais dando certo. Agora, será mesmo uma boa ideia arriscar mais ou é melhor manter só o lançamento de obras conceituadas e reclicar material antigo? É o atual dilema dos estúdios.

Não que adaptações de obras conceituadas sejam ruins(adaptações sempre foram a maior parte dos animes e são, em média, ótimas), mas é bom variar um pouco. Como o Black falou, ecchi em si não é ruim(na verdade é ótimo…), porém é preciso saber equilibrar sua quantidade, assim como outros aspectos nos animes.

O ano em si tem poucos animes, mas não todos ruins. Há animes bons, mesmo em época de vacas magras. Os estúdios não estão em uma boa fase, mas eles mantém um bom desempenho.

EviLDemon

20/07/10 | 6:27 | #

a falta de originalidade,acredito que seja por causa de dois motivos principais:

1-mercado.cada vez mais animes tem que se adaptarem as tendencias do mercado para fazerem sucesso.ser aquilo que as pessoas estão procurando faz com que uma idéia original sofra diversas adaptações.quando voce assina um contrato para lançamento de anime ou mangá,sua criação deve seguir o padrão exigido pela empresa que o publica.

2-influencias:hoje em dia,quem escreve animes/mangás só usam os mesmos como inspiração.
grande maioria não gosta de hq e nem desenhos americanos,o que faz disso uma fonte limitada de inspiração.as vezes seguem padrões impostos por eles mesmos.ficam se policiando para a história não parecer infantil.sei que não é de importancia fundamental,mas quanto mais variadas são nossas influencias,mais variedade de conteudo e mais fáceis são as chances de sair um tema original.

carlos

21/07/10 | 1:24 | #

Eu acho que o maior problema não é muito bem a falta de originalidade no tema ou enredo do anime, mas sim em como trabalhá-lo.
Perco a conta de quantos aimes do tipo harém começam exatamente do mesmo jeito, com exatamente os mesmos tipos de personagens, mas acabam se diferenciando comlpetamente.
Em shounens, desde Goku é quase regra que o principal seja comilão e meio tapado. Sem falar que sempre tem que ter um “Vegeta” no meio. Ainda assim, são animes bem diferentes.
o que eu acho que acontece é que, devido ao fato de não estar sendo lançado nenhum grande anime, desses de mais de 50 episódios, então o número de animes aumenta cada vez mais, e fica difícil lançar uma idéia “original”, então, produtores usam isso como “muleta”, e copiam um anime já existente, sem se dar ao trabalho de dar um desenvolvimento interessante…

De qualquer forma, os novos animes que saíram nessa temporada estão esquilibraods na minha opnião… HOTD é um tema interessante, Working é excêntrico, Mitsumodoe é parecido com alguns mangás que eu li, e por aí vai…

Nakazora

21/07/10 | 3:21 | #
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