Mudando de foco
16.11.09, às 16:00, em Otaku é a MÃE!Caso Reborn!

Não é sempre que eu escolho um únimo mangá pra ser discutido aqui, mas como recentemente eu comecei a acompanhar Katekyo Hitman Reborn! (entendam como li todos os capítulos de uma tacada só) e percebi que seria um ótimo exemplo, então resolvi tratar dessa história que começou como uma comédia no estilo To-Love Ru e é hoje uma aventura com características de Bleach e One Piece. É hora de falar do Hitman Particular Reborn.
Entendam a premissa: Sawada Tsunayoshi é o típico loser de colegial: Não é bom em esportes, nem em estudo, consegue tropeçar em uma pista plana e gagueja perto de garotas, principalmente da que gosta. Como suas notas vão fazê-lo ser reprovado, sua mãe contrata um professor particular italiano com o curioso nome de Reborn… Que é um bebê de quatro anos, em um terno de mafioso e portando uma pistola. Eu falei terno de mafioso? Pois ele é o próprio melhor atirador de uma família mafiosa italiana! Reborn veio até o Japão para transformar Tsuna no próximo chefe da família Vongola, nem que seja na marra.
Esse bebê tem um chute…!A idéia pra um mangá de comédia é muito boa. Reborn é ácido, é manipulador e principalmente consegue colocar Tsuna no seu lugar. Para ajudar o garoto a fazer algo que preste, Reborn tem balas do Desejo de Morte, que, quando atiradas na cabeça da vítima, fazem com que ela se torne forte o bastante por cinco minutos para realizar seu último desejo. Isso se ela tiver arrependimentos, senão, é mais um defunto. Logo Tsuna recebe a primeira bala e acaba correndo de cuecas pela rua para se declarar para Sasagawa Kyoko. É, de cuecas, isso por si só já gera toda a confusão que precisa para o garoto mudar.
Vê só que romântico! Um Don Juan!Durante 60 capítulos, aproximadamente, o mangá se desenvolveu com pequenas histórias de um ou dois capítulos, mostrando a vida de Tsuna enquanto aprendiz de Reborn e sua evolução como pessoa. Só que, com um ano de publicação, uma hora a coisa começou a cansar. Acho que foi com a repetição das mesmas piadas (Lambo apronta, troca de lugar; Bianchi faz comida envenenada e não entende a reação dos outros; Etc.). Aí, pra renovar, resolveram utilizar elementos já consagrados na série (os Arcobalenos, a guerra entre famílias, a prisão da Máfia…) e adicionaram outros, como vilões realmente maus, que mudaram o modo dos personagens de agir… Um pouquinho.
E essa é só a munição pras festas de fim de ano!A primeira mudança de verdade é que a função dos membros da família deixou de ser adorno para os momentos cômicos. Se até mesmo Gokudera e Yamamoto-kun se tornaram mais sérios, é porque houveram transformações, sem a perda de suas personalidades. Tsuna ainda era o Tsuna-não-é-bom-em-nada. Bem, pelo menos por um tempo. Com o redirecionamento da história para a ação, o protagonista teve de começar a lutar e foi quando finalmente vimos a real função daquela bala maldita e do modo de Desejo de Morte, além de conhecermos certos aspectos não tão agradáveis da Máfia… Ok, vocês entenderam.
Algo que vale a pena citar é que, por mais que o rumo da trama passou a ser outro, o autor aproveitou detalhes que já tinha colocado como piadas e deu um tom mais… Compenetrado. Exemplo? O doutor Shamal, aparentemente só funcionando para curar o Tsuna, “mesmo que ele não seja uma garota”, se mostrou um ótimo lutador e um sensei eficiente para o garoto-bomba. E que tal a I-Pin, o monstrinho das artes marciais, mostrando toda sua força na forma de 10 anos depois para destruir oponentes que estavam ameaçando seus amigos?
Carácoles! Aquele cabeção era de uma garota?!?Entenderam onde quero chegar? Reborn é um ótimo exemplo de mangá que mudou a direção, mas não o espírito e se tornou ainda mais atraente. Adicionar novos temas e dar mais seriedade ao que já existe não estragou a obra, na realidade a engrandeceu. Foi uma passagem que levou adiante o mangá. E o anime, cuja etapa comédia durou apenas 18 episódios. Quase uma temporada inteira. E acreditem, melhorou muito.
» Tags: Ação, Comédia, Katekyo Hitman Reborn, Shounen
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