Mamãe, quero ser um personagem de animê
04.01.10, às 15:30, em Otaku é a MÃE!Ah, você quer é? Vai sonhando!

Por incrível que pareça, mesmo que a equipe se esforce, os textos mais comentados do Sake com Sal continuam sendo os do NM e suas críticas que fariam o Troll se sentir uma menininha e o de Hentais da Bee. Obviamente, quem critica geralmente tá xingando o autor por ser tão ácido. Alguns tantos até se metem a acompanhar os urros insandecidos do ex-redator do Ato ou Efeito, proclamando a imbecilidade alheia sem sequer tirar do pulso a munhequeira que utiliza da banda de metal. Eu, por outro lado, estou aqui hoje para apresentar um guia prático de como enfrentar a V.A. (vergonha alheia, grande amiga da Rapousa) e assumir de vez o seu lado “glam”, sem medo de que as pessoas resolvam te linchar porque elas próprias não podem lidar com isso. Sigam-me os tolos e pobres futuros defuntos.
Pra começar, é preciso entender um preceito básico da física, da química, da genética e da realidade: Se personagens de animê fossem reais, Newton, Einstein e provavelmente Darwin estariam errados em muitos preceitos. Logo, como eles são gênios e animês são vistos como coisas de criança, há algo de muito errado nas produções japonesas, a começar pelos cabelos. Sei que existem hoje em dia gel e tintura, os artefatos mór das bandas dos anos 80 e dos emos de hoje, mas, e atentem-se para o grande MAS, é preciso lembrar que dinheiro não é infinito e se você quiser fazer qualquer uma dessas transformações, deve pensar BEM no seu bolso antes. Porque vai gastar bagaraio.
A questão do cabelo é simples: Na realidade, japoneses tem, em sua maioria, a cor negra em suas madeixas e elas são, quase que permanentemente, lisas. No entanto, como animês gostam, aliás, tem o dever, de não seguirem todas as regras do cotidiano, por vezes vemos personagens com incríveis cabelos espetados e coloridos, variando dos super-natureba verdes até os saídos de uma discoteca roxos ou rosa-pink. E isso é só o começo. No grande número de casos de defeitos genéticos típico das produções japonesas, a cor de cabelo dos pais é inversamente proporcional às características herdadas pelos filhos. Complicado? Eu sei, inventei agora. Mas, e vejam bem que não é sem conhecimento de causa, uma mesma família pode ter membros com as quatro cores seguintes sem erro ou pulada de cerca: Preto, loiro, castanho, rosa e um tom de azul que só pode ser tinta de caneta Bic. No mundo real, é praticamente impossível ter alguma dessas cores, tirando preto, energúmeno, se o seu cabelo for escuro e crespo. Acreditem, é com toda certeza que digo: Vocês vão gastar fortunas comprando tintas para trocar a cor de seus cabelos. E nem sempre gel ajuda. Principalmente se você inventar de colocar chapinha. Como meu amigo fã de Green Day que tentou imitar o cabelo de Billie Joe Armstrong em American Idiot pode confirmar em sua grande jornada para o inferno: Não se misturam gel e cabelo alisado. NEVER. Portanto, caros mortais infelizes: Na dúvida, imitem a população japonesa em geral e só roubem o ferro de passar da sua mãe pra esticar esse cabelo de Assolan. PONTO.
Mais uma guitarra ou um microfone e você teria o antigo Axel RoseSeguindo a linha, vamos para um local de perigosa manipulação e que tem gente que insiste em gastar grandes quantias para “colorir”: Os olhos. Sério, eu sou míope que é uma tristeza, sem óculos não vejo NADA direito, então afirmo: Lente é uma desgraça. Além de ser cara e difícil de utilizar, ainda pode causar irritação nos olhos, perder ou até mesmo quebrar sem grandes motivos. E dói que é o diabo colocar aquele troço no olho, carácoles. Ainda assim, se você for tentar imitar os grandes olhos roxos daquele personagem de Code Geass ou o Sharingam do Emochiha, então é a única possibilidade. Só aceite, vai gastar MUITO. PONTO.
Sério que você quer ser que nem esse cegueta aí?A seguir, roupas. Agora, convenhamos, quem realmente acredita no físico de personagens de animê? Tudo bem, existem muitos animês Slice of Life, que são “retratos da vida real”, ou seja, tem nada de místico, geralmente a comédia é leve e os personagens não são exagerados… Demais. Ainda assim, é só olhar para os personagens de Bleach pra dizer WTF?!? Oh really?!? que tem uma ruiva no ensino médio com aqueles peitões? Nem aqui no Brasil e olha que eu moro em Santa Catarina e mulher gostosa não falta por aqui (o que falta é vergonha na cara, mas deixa pra lá…) e… Bom, somos um país misto, até teria certa razão. Mas o Japão? Uma japonesa 100% daquele jeito? Há algo de podre aqui, meus caros. E o que falar de caras? Ahn? Marombados sem fazer academia? Ok, estou me afastando do ponto: O figurino de personagens de animê, em sua maioria, é até copiável, mas existem casos praticamente impossíveis. E se for pensar, nem sempre são roupas realmente legais de vestir se não for por Cosplay. Por outro lado, se garotas quiserem sair por aí com os trajes sumários de, sei lá, Tenjho Tenge, fiquem à vontade. Só não reclamem depois quando seu namorado maior de idade for parar na cadeia ou pior, VOCÊ sofrer com o que está vestindo, sua dimenor (sim, Mario, isso vale pra você também, pervertido do caramba).
Calma, elas são colegi… Oh boy…Por fim, a questão dos hábitos. Colocando em miúdos: A cultura japonesa é secular, e ainda está passando por mudanças, além de derivar de religiões que geralmente não são praticadas no Brasil como Xintoísmo e Budismo. Assim, se você acha legal imitar, não faça como 75% dos otakus que vejo por aí e que saem exibindo sua grande capacidade de aprendizado e cometendo atrocidades para a cultura alheia (já basta os Simpsons e OMG, como é bom rir daquilo). ESTUDE, PERGUNTE, APRENDA de verdade. Centros de cultura japonesa existem tanto aqui, quanto em Curitiba, em São Paulo ou mesmo em grandes sites da internet. Assumam que o animê é uma baita piada, em geral, sobre essa cultura e que parte daquilo é apenas exagero e não tentem copiar ipsis literis (mesmo porquê, é preciso ser jeitozinha pra ficar boa em um quimono daqueles, vá…). Ah sim, isso vale também para as artes marciais. Não esqueçam: Existem poucos faixas pretas, e há uma razão para isso.
Completando o pacote, projeto de personagem de animê, um detalhe importante: O drama, a literalitade, o romance. Quer parecer um personagem de animê? Ótimo, faça. Só não ignore uma informação básica de praticamente todos os protagonistas e personagens relevantes, que é a sua razão de vida. A maioria deles sofreu ou sofre algum problema, o que os motiva a seguir adiante (ou estagnar em um contínuo de xororô, não é, Shinji?), permitindo assim que eles assumam aqueles temperamentos extremos que se vê na tela do comp… Da tevê. Não é fácil imitar isso, e nem se deve, se você é uma pessoa deveras feliz e que não tem porquê virar emo. Aliás, esqueçam tudo que eu disse. Vão assistir animê e desistam de tentar virar um. É mais saudável.
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