Hora de falar de Piratas
05.10.09, às 15:30, em Otaku é a MÃE!Vamos falar daqueles vinte dvd´s que tem no seu armário…

Eu tentei ludibriar vocês e fingir que o assunto não existia. Até mesmo protelei, inventando desculpas aqui e ali para não falar disso. Eu juro que até pensei em pedir que outro autor tocasse nesse ponto. Mas agora, quando tá cada vez mais em voga e causou certos problemas referentes à exibição de One Piece nos EUA, é impossível desconsiderar a pirataria. Que os nossos amigos do You-hou-hou me perdoem, estou prestes a discutir o ato de roubo e distribuição de mídia e é hora de falar sério. Sigam-me os bons, os maus e os piratas e sirvam-se, pois a primeira rodada de rum (virtual) é por minha conta.
Antes de avançar, é preciso estabelecer parâmetros: O que é e o que não é pirataria? Pensemos na origem da palavra, quando aqueles roqueiros navegantes, segundo Johnny Depp (2005, heh), invadiam os mares e navios alheios e tomavam as mulheres, a bebida e as mercadorias, além de todo ouro e jóias que pudessem estar carregando. Tiravam dos outros o que estava sendo transportado, não deixando nada em troca. Agora, me digam: Em que momento alguém que está pegando uma imagem, transmitida no Japão e que de forma alguma chega aqui, e legenda, disponibilizando de graça (ou seja, só perdendo seu tempo e boa vontade) na internet para que seus amigos, e os outros também, possam assistir, é um pirata? Repito: Exclusivo do Japão, sem retorno algum e para que as pessoas possam conhecer. You-hou-hou? Só vendo One Piece, meu caro. Por outro lado, pensem no mesmo One Piece, que possui mangá e anime em território nacional, e de repente você pode ler, através de um site, capítulos inteiros sem pagar e também pode comprar dvd´s com o produto original (sem aqueles cortes ridículos e a dublagem de quinta categoria) por simples R$15,00. E isso quando há dvd´s com extras em boxes bonitos (ah vai, são sim) em livrarias e outras lojas por aí. ISSO é pirataria.
Pirataria é ruim para mim, para você e, principalmente, para os donos da licença e distribuidores. Sim, é ruim, não se pode negar. Quando você adquire, de forma lícita, já que é uma venda honesta, um produto desses, você não está comprando um outro, mais caro, porém, limpinho, de uma Playarte da vida. Você vai assistir o que quer, tenha certeza, com o áudio japonês e legendas, na sua maioria, bem feitas. Mas e aí? O dvd, que eles produziram em massa, não venderá nem a metade de seu estoque e muito provavelmente deixará o projeto pela bola sete. É isso aí, por isso que alguns animes nunca ganham todas as temporadas no Brasil.
É claro que todos temos o direito ao acesso a estes produtos, e se algo é trazido com péssima qualidade, como o já citado One Piece, vai causar revolta, e revolta justificada. É lógico que os fãs, que sabem que a versão real do anime, e não aquela colcha de retalhos, é bem diferente, vão tentar procurar os fansubbers, atrás de algo que realmente preste. Ainda assim, é um prejuízo enorme para as empresas que se esforçam em colocar esses animes em rede nacional. Muitos dos que vendem anime nem se esforçam para legendá-los, tirando o crédito de subbers profissionais, que ainda colocam frases como “De fãs para fãs. Não comprem dvd´s com esses episódios”. E nós compramos. Sim, é idiota. Não, provavelmente não vai parar.
E então, Black? Vai só falar mal? Hah, óbvio que não. Eu apóio subbers e projetos de tradução que procuram projetos que sabem que não chegariam aqui facilmente, por razões diversas, mas principalmente por não ser mainstream, e que dispõem, sem custo algum, para quem quiser conhecer. Muito do que eu leio hoje, e gosto, comecei a ler ou ver por causa disso. E mais, quando posso, e eles chegam às bancas daqui, eu compro. Não é porque eu já li uma vez que não vou querer ler de novo, sem tantos erros de português (ou se esperava que menos erros) e com traduções aprovadas pelos autores originais. É por isso que ainda compro Bleach, D. Gray-Man e tantos outros e não me arrependo. Pra conhecer, não há mal em experimentar. Seria bom se fosse possível fazer que nem no Japão, em que vemos capítulos em revistas semanais ou mensais e só depois compraríamos volumes completos.
Alguns podem pensar: e aí, cê pode importar, cara! E eu respondo: Claro, no dia em que eu tiver a fortuna do Hugh Hefner e souber ler qualquer um dos 30.000 kanjis. É difícil, cara! E se importar do Japão é ruim, imagina dos EUA. Ao menos dá pra ler, mas o tratamento que eles dão a alguns dos mangás ou dos animes que eles compram (Atchô! 4Kids! Atchô!) é tão ruim, tão ruim que seria perda de dinheiro.
Com isso, eu quero que pensem no seguinte: Não há mal em divulgar algum projeto legal de mangá que leia ou um subber que faz um bom trabalho, mas não façam disso seu único hábito. Não me levem a mal, mas não podemos e não iremos divulgar nomes de sites nenhum aqui. Sabem, existe Google e muitas outras pessoas que podem indicar o que querem. Nós vamos sugerir boas obras, que nós lemos e vimos. E aceitamos sugestões também, afinal, como a maioria que acessa o site, também somos fãs.
» Tags: Fansubbers, Importação, One Piece, Pirataria
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