Fanboys, Shippers e Cults
08.02.10, às 15:30, em Otaku é a MÃE!Resumindo: CHATOS!

Sabe aquele guri porre que fica endeusando seu animê favorito, elogiando seus personagens nada complexos, sua trama óbvia, suas reviravoltas clichês e suas qualidades suspeitas? Ele é um fanboy. E sabe você com seus argumentos bem pensados, suas discussões ponderadas, sua capacidade de absorver os comentários alheios e mesmo assim mantém sua fidelidade ao que gosta, não desistindo? Você também é um fanboy.
O que caracteriza um fanboy é sua incapacidade de aceitar os defeitos levantados por outros ou, quando não tem tantos defeitos, de descer do altar a sua preferência, de considerar que o gosto alheio e por sua vez o que as pessoas gostam pode ter tanta relevância quanto a dele. O fanboy não é necessariamente grosso, é ignorante. Aliás, ser fanboy não é ser chato, isso é uma particularidade de alguns fanboys. O fanboy é persistente, isso sim e vai tentar de todas as formas fazer valer sua opinião e mudar a de todos os outros para concordar com ele.
Quer um exemplo que provavelmente todos vocês conhecem? Os fãs do mangá Naruto. Eu sou um, e sei reconhecer quando o Kishimoto erra a mão, até levanto os problemas que a obra sofre. Por outro lado, existem milhares de fãs por aí que não conseguem perceber as diferenças claras de qualidade entre um capítulo e outro, e demoram a entender que a obra não pode ser avaliada pelo todo, mas por fases, já que ainda não acabou. O mesmo vale para os fãs de Evangelion, e digo do animê, que o elevam à quinta potência, aclamando que é o melhor animê de todos os tempos. Deixando de lado a veracidade dessa afirmação, isso também é ser fanboy.
Como evitar isso? Simples: Sendo eclético, não se posicionando com apenas UM animê ou UM mangá. As pessoas que podem abraçar vários números um, de preferência de gênero diferente, são também aquelas que menos se fixam em um determinado e repetitivo ciclo de conversas. Veja os seus amigos, ao menos um deles, se não VOCÊ, vai gostar exclusivamente de um animê e sempre vai puxar a sardinha pra ele, não interessando a origem do assunto ou quando esse animê foi lançado.
Fanboy assim só no cinemaDentro do universo fanboy (e podemos ser diretos, ISSO EXISTE SIM) há uma categoria adjacente, adventa do fandom, que é um universo parecido, mas não tem tanto a ver: Shippers. Para quem não sabe, shipper é uma classificação dada aos membros do fandom que elaboram casais entre os personagens da obra original que não são confirmados pelo autor ou autora. O fato é que MUITOS, e eu digo MUITOS MESMO, dos shippers juntam praticamente qualquer dois personagens de sexo oposto, mesmo sexo, sexo indefinido, raças diferentes, até obras diferentes.
Assim, shippers são ao mesmo tempo uma mistura de fanboys com fandom e uma especialização dos mesmos. É certo que shippers podem causar muito mal à certas pessoas que discordem sua união “razoável e que até o autor apoiaria” de dois seres diferentes. Eles vêem na história detalhes que teriam sido postos pelo autor para dar a dica de que aqueles personagens são um casal. Vocês conhecem gente assim, sabem disso. Ok, querem um exemplo? Citando novamente Naruto: Shikamaru e Temari. Dois personagens que já foram vistos em situações juntos e se dando bem. Logo, por serem do sexo oposto (ou sei lá, apenas por existirem), eles são um casal. Ponto.
Nas palavras de nossa devota do yaoi, fanfic writer e também shipper:
Nem tenho nada contra fanboys de personagens (embora às vezes eles sejam pentelhos, mas depende de cada um), mas fanboy shipper?! Tô fora.
Aliás, 90% dos shippers se dá ao luxo de fazer casais impossíveis, só pelo prazer de unir personagens que geralmente não combinam nada ou até mesmo se odeiam, ainda mais quando são do mesmo sexo. Até se entende que tirem uma relação amorosa de uma amizade firme e forte de dois garotos (isso, fãs do yaoi, estou dando um migué pra vocês), mas achar que dois personagens que poderiam se matar na verdade se amam? A linha entre os sentimentos não é tão tênue assim. Os outros 10% são aqueles que esfregam na cara dos outros que estão certos quando o autor confirma, ou seja, são escrotos. Encerro aqui meu ataque contra estes garotos e garotas do sexo feminino (e simpatizantes) que se tornam shippers.
VEJAM e ENTENDAM! Meritíssimo, a promotoria encerra.Por fim, e voltando ao tema Evangelion, existe um tipo de fanboy que merecia ser drogado, vestido de Narutard e jogado no meio de fãs enlouquecidos de Cavaleiros do Zodíaco (outra espécime irritante de fanboys): os Cults. Vou abrir aqui um parêntese pra explicar o real significado de cult. Não, não são aqueles animês obscuros que seu amigo de óculos fundo de garrafa e que só usa capote, mesmo nesse verão dos infernos, assiste. Cult, na idéia mais simples da palavra, é o termo utilizado para referenciar qualquer produto que não seja exatamente mainstream e que conseguiu deixar uma marca na história daquele gênero. Logo, Evangelion é Cult.
“Mas Black, como assim? Evangelion vende pra caramba! É TOP!”. Ok, vamos ser mais específicos: Evangelion, lá pelos idos dos anos 90, foi lançado na tevê japonesa e fez um estrondo desgraçado porque era uma história original que falava em termos bíblicos, questões existenciais, o sentido de livre arbítrio e a imortalidade. Lindo, maravilhoso, mas não era e nunca será mainstream, ao contrário de seus outros produtos. Por quê? Porque a série original, sem os filmes complementares, o mangá e os derivados, é um produto autoral. Tudo que veio depois é apenas uma adesão a esse produto, o que torna Evangelion um artigo cult, mas superexplorado e que vende pra burro.
Ok, entendido isso, eu peço um minuto para fazer algo que queria há milênios: VOCÊS, FÃS DE EVANGELION, AKIRA, HOKUTO NO KEN OU O CARA*** A QUATRO, EXPLODAM! PO***!… Passou, passou, já estou mais calmo. A questão é que os fãs de culto são extremamente arrogantes, o tipo de fanboy que mais facilmente inflama uma discussão e, de uma forma contraditória e paradoxal, sempre sai por cima das discussões. Porquê? Porque o cult, em geral, tem a vantagem de ser completo e intocado. Vejam bem, para que algo seja cult, ele tem que estar fechado, sem arestas, incapaz de ser alterado para que vire mainstream. Por isso que a série original de Evangelion é cult e os filmes não. Os filmes são complementos, mas você pode muito bem ver o animê inteiro e ignorar o resto. Acredite, é até melhor.
Só pra dizer: O Shinji é fraco, a Rei não é uma deusa e a Asuka é a culpada por todas as Tsunderes do Moe…Assim, discutir com um fanboy cult é perder tempo, paciência e força de vontade. O infeliz estará eternamente satisfeito com o seu objeto de adoração e fará de tudo para que todo o resto seja subjugado, considerado lixo popular e uma forma da indústria reciclar clichês a torto e direito. Ignorando que essas afirmações são cabíveis para determinadas obras, esses fanboys estão incorretos ao pensar que o cult é livre de erros. Ser cult não é ser perfeito, só que seus fãs são bem mais cegos do que os outros. Sinto muito, o problema é de vocês.
Acreditem, nada tenho contra fanboys especificamente. Bom, não contra a categoria em geral. Meu problema é com aqueles que resolvem se meter no espaço alheio quando não são procurados. A esses, indico a porta de saída, que é serventia da casa. Grato.
PS: Como prometido à Rapousa, uma mensagem à nossos visitantes: ESTE É UM SITE DE HUMOR, ABRAÇOS.
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