Eventos de Anime: Eu ri.
18.11.09, às 18:00, em Mundo OtakuPor que né, você já viu as pessoas que frequentam?

Minha mãe nunca gostou de evento de anime.
Na verdade, isso foi um baita de um eufemismo. “Minha mãe sempre odiou eventos de anime” seria mais realista.
No auge dos meus quinze anos não entendia todo esse ódio, pensava que ela era uma chata, careta, sem graça que não compreendia o mundo. Na verdade, às vezes ainda acho isso. Porém, bastou crescer um pouco para perceber que, bem, shame on me.
Mamãe ao ver VOCÊ na rua, saindo de um eventoMoro em frente ao local onde hoje em dia se realizam os maiores eventos de anime da cidade, o que significa que estou chegando em casa as 9h da manhã no domingo, após uma noitada fora (quê, cês acham mesmo que eu passo o final de semana em casa, nerds?) e lá está, uma fila gigante de dobrar esquina. Uma fila gigante e ridícula. Cor predominante: preto. Detalhe: dia ensolarado de 40°C. 50 narutos aqui, 200 L pra lá, metade da fila vestida com o manto da Akatsuki, perucas ridículas, orelhinhas que arrastam no chão, rabos, saias de prega, meias arrastão, sobretudos, coturnos, alguns cosplays aleatórios entrando na MINHA padaria, assustando as velhinhas da MINHA rua, comendo e gritando na MINHA praça.
Pessoas assim invadindo meu santuárioSó posso dizer que, bem, rio pra cacete vendo-os. No entanto, me assusta pensar que um dia eu já fui uma delas. A diferença é que jamais peguei uma fila quilométrica. Quer dizer, pra mim é impensável ir para o fim da fila, seja em que evento for. Porque, diferente de você, sempre tenho bons contatos. De qualquer forma, ainda reluto em aceitar que na minha época eu era tão retardada.
Na minha época era diferente momento velha pneumática. Não andávamos com gorros quentes em pleno verão.
Andávamos com orelhas de Chobtis.
Pior que eu andava mesmo com aquela porra na rua, me sentindo super especial, sem saber que estava era sendo especialmente mongol. Quando fazia cosplay, saía do evento com ele, se bobiar, já saía de casa vestida com o cosplay. Ponto importante: naquela época os eventos não eram do outro lado da minha rua. Eles eram longe.
Voltando para casa após um estafante dia no eventoQuem diria, hoje sinto pena de quem anda caracterizado por aí se achando um máximo. Também, já cheguei a tender ao preto na minha época aborrecente, hoje abomino a idéia de me entregar a uma cor só. Pra mim, andar só com preto é tão ridículo quanto meninas que andam só de rosa. Indumentária monocromática é breeega.
Olha que nem estou falando que não faço mais cosplay. Faço sim. Só não ajo que nem uma retardada andando pela rua com ele. Gente, é ridículo!
Veja bem, na estréia de Harry Potter, consegui uma entrada (de graça) para a pré-estréia de imprensa, críticos e convidados, dois dias antes do lançamento para o grande público, a condição era que usasse cosplay. Beleza, coloquei ele na bolsa, cheguei no cinema, esperei até ver muitos cosplays e só então fui vestir o meu. E olha que cosplay de Harry Potter é até discreto (tirando a capa), poderia fingir que estudo num daqueles colégios tradicionais e coisa e tal.
A última vez que andei com cosplay na rua foi em São Paulo, num evento (também) de Harry Potter, mas ele era na Liberdade, e andar pela Liberdade vestido de colegial nem é tão esquisito assim.
Outro ponto interessante é que minha mãe gostou do evento de Harry Potter (ela foi até lá porque, bem, era minha primeira vez em SP e ela quis ir junto…). Não que tenha chegado a entrar, mas ela não ficou com medo dos freqüentadores, olhando para eles como quem olha para uma barata particularmente cascuda. E havia alguns cosplays escalafobéticos, pessoas empolgadas, até emos com seus cabelos esquisitos! Mas nada disso a fez menosprezar o evento como menospreza os de anime.
O que quero dizer é que, o que assusta os pais e que só agora consigo enxergar, são os freqüentadores. Começa pelo fato de andarem com roupas esquisitíssimas, quase todos de preto ou listrado, passa pela sua corcunda de ficar tempo demais em frente ao computador se masturbando com assistindo animes, a mania de falar e gesticular escalafobeticamente, acreditando que está dentro de um anime. Sem esquecer a risada maníaca intercalada com o olhar psicótico, remanescentes da falta de contato social.
Eventos de HP são bem diferentes, ninguém fica encenando como se achasse que é mesmo um bruxo, ou usa roupas quentíssimas e maquiagem pesada, ou mesmo se vestindo só de preto&branco.A velha odiava eventos porque achava que eu iria ficar exatamente como aquelas pessoas, uma desgarrada social andando pelo escuro, falando sozinha e achando legal para sempre usar orelhas na rua e gesticular como alguém que teve álcool demais no sangue no período embrionário.
Aqui na minha cidade há um cara de uns 30-40 anos que freqüenta eventos, na minha época áurea de freqüentadora, quando conhecia todo mundo e todo mundo me conhecia, ele, por algum motivo que agora me escapa, tinha meu telefone. E ligava para a minha casa. Cara, eu tinha 15 anos e o maluco uns 30-e-poucos (tire essa idéia da sua cabeça, acho que ele é meio gay) e ficava conversando sobre coisas aleatórias como se eu fosse a BFF dele, sendo que eu mal falava com ele nos eventos! Para ter noção do quão profunda era a esquisitisse, ele ainda morava com a mãe! Confesso que nesse caso em específico, desconfio que ele tem mesmo algum problema mental. Sem sarcasmo.
E o cara continua freqüentando eventos e fazendo cosplays adoidado, até hoje. É esse em geral o tipo de adulto que você encontra lá.
Aí o tipo de “tio” que curte fazer cosplay em eventosTudo bem quando se é adolescente e meio retardado, até porque, adolescência foi feita para você ter vergonha de si mesmo alguns anos depois. Mas gente adulta em evento? Primeiro que é raro, segundo que, os que freqüentam, costumam ser tão esquisitos e desgarrados quanto os jovens.
Só sei de uma coisa, hoje eu rio com freqüentadores de evento de anime, e quando consigo entrar de graça em algum, adoro observar os espécimes raros que aparecem. Gente, é hilário observar uma rodinha de nerds fazendo algo retardado. Você fica se sentindo a pessoa mais inteligente, elevada e divina do mundo. Faz bem ao ego.
Se você freqüenta eventos e age como a maioria dos otakus, espero que seja um adolescente, mas reflita e note que esse período não deve durar para sempre, ou você vai ser tão esquisito quanto um cara que estudou comigo na faculdade, ele recebeu o carinhoso apelido de Garrafinha e era irremediavelmente zoado e maltratado (não por mim, quero deixar claro). Agora, se você não freqüenta eventos, faça isso um dia: riso garantido. Ou talvez você acabe sentindo medo. Contudo, nesse aspecto prefiro ser como o Simba, e rir na cara do perigo.
Simba após um evento de anime» Tags: Anime, Evento, Matérias - Mundo Otaku
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