De crítico todo mundo tem um pouco…
29.12.08, às 16:18, em Otaku é a MÃE!Vá ser roteirista na vida…

Lá pelos idos de 2002, 2003, quando eu ainda consegui ver uns dois filmes por dia e uns seis por semana, peguei a mania de crítico e comecei a avaliar, por brincadeira. Claro que era fácil julgar, falando dos clichês do roteiro ou da falta de novidades. Hoje, quase 2008 acabando, vejo que o discurso é outro. Avaliar animes e mangás, por exemplo, não pode ser feito da mesma forma. Aliás, de onde saiu tanto crítico por aí, hein? Sigam minha linha de raciocínio.
Um dos principais pontos “negativos” de um roteiro é sua pouca criatividade, os excessos e, a segunda palavra mais dita na face da Terra: clichês. Mas o que caracteriza cada um desses itens? O que é um roteiro criativo, afinal? Algo que ninguém viu antes? Talvez pegar uma idéia antiga e reciclar? Algo que muita gente esquece é que, além da dificuldade de se conseguir algo assim, é a capacidade de agradar muita gente. É impossível agradar a todos, se não concordamos com comida, mulheres e música, como concordar com algo como animes? Por isso existe um conceito chamado Público-Alvo. É claro que coisas que são feitas para vender tem tendência ao pop, fugir dessa idéia é querer criar uma tendência nova, não ser único. Se você quisesse algo que realmente só você gostasse, criaria para você mesmo e guardaria em um cofre da sua casa.
Filho, continua sendo crítico e você vai ficar ASSIM quando crescer…”Mas ainda não respondemos: O que é criativo? Será que Evangelion e Akira são criativos? E Naruto e Pokémon não? Os dois primeiros são, quase que unicamente, ovacionados, enquanto os dois últimos são alvos de piadas, cada um para sua geração. Se Eva e Akira tem qualidades, é porque seus criadores exploraram uma idéia que caberia em um mundo real, após um desastre apocalíptico, claro. Em seus roteiros há espaço para discussões sociológicas e psicológicas. Enquanto que no mundo imaginário de Naruto e Pokémon, definitivamente mais infantis, o foco será ação e temas como amizade e coragem. No entanto, que não fique estigmatizado como apenas isso. Existe campo para evoluções dentro dos dois produtos, assim como em qualquer outro que ousar avançar. Tá, admito, a maioria falha, e falha MESMO, mas fazer o quê, com o tipo de público que há por aí.
Não consegue nem falhar sozinho…Criatividade é, acima de tudo, conseguir criar algo que, não necessariamente, é totalmente novo, é inovar em algum conceito. Robôs gigantes controlados por crianças não são inovadores, mas misture seres celestiais, um plano para mudar o mundo e um emo como piloto e talvez você tenha uma ótima idéia. E é inevitável: Se algo faz sucesso, vai ter cópias, seguidores quase fiéis que por vezes podem ser melhores do que o original. Vide Digimon, que conseguiu ser mais alvo de piadas do que Pokémon, mas que também conseguiu evoluir durante algumas de suas temporadas. A maior preocupação, e o defeito da maioria dos animes de sucesso de hoje, é o excesso. Excesso não é só explorar um elemento do produto ao pé da letra, mas escrachá-lo. Convenhamos: Quem assiste Bleach vez ou outra cansa do humor tolo presente entre lutas. Por outro lado, o humor é fator elemental em One Piece e quase sempre não sobra.
E os clichês? Ah, os fatídicos clichês: Ninjas, shinigamis, homem mais forte do mundo, amizade acima de tudo, etc. etc. etc. O que são clichês, afinal? Do dicionário Priberam: do Fr. cliché – imagem, ideia ou conceito muito divulgado e repetido, estereótipo, lugar-comum. Ou seja, xingar qualquer um dos mangás e animes da moda é clichê. Tão vendo, seus preconceituosos, cês também são clichês. O uso e o abuso de clichês prejudicam sim uma narrativa. É novamente o caso dos excessos, mas aqui de algo que já é claramente ruim. É possível, claro, fazer bom uso de clichês, mas não fazer uma obra inteira de clichês e esperar que fique boa. Principalmente se você faz quando o conceito está em moda. Recentemente comecei a ler um mangá, Ga-Rei, que nos três primeiros capítulos trouxe alguns elementos que associei à Bleach. Porém, mesmo vendo ali algo que já tinha visto antes, não denegriu os pontos fortes da obra.
Pelo menos a guria é mais gostosa que a RukiaEsse é um ponto importante, inclusive. Não se pode julgar mal ou bem um anime ou um mangá apenas por um dos elementos que o compõe. É preciso analisar o todo. E nunca esquecer, todo mundo é crítico, mas autores são poucos. Se quer algo só pra você, vai lá escrever. E me deixa aqui com meus mangás.
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