Bakuman
12.03.09, às 15:00, em MangásUm mangá sobre… Mangás!

Conhecem o sentido de intertextualidade? E que tal metalinguagem? Não? Então dexa explicar aqui: Intertextualidade é quando um texto, uma obra, “conversa” com outra, ou seja, apresenta elementos da outra. Exemplo: Você está lendo um livro de Machado de Assis e ele cita um personagem de Homero. Simples. Já metalinguagem é o meio falando dele mesmo. Mais exemplo: Esse mesmo livro, em determinado ponto, comenta a dificuldade do autor de escrevê-lo. Tá, Black, deu de aula de português… CALMA, pequeno gafanhoto, tudo tem um motivo. E o dessa vez é que estou preparando terreno pra falar de Bakuman!
O ministério Otaku avisa: Certos mangás podem explodir sua cabeça
Eu falei outro dia no Otaku é a Mãe! que talvez voltasse para essa obra em específico. Pois aqui estou! Podem ir embora já… Ahn? Ah, tá, Bakuman. O mangá é um shonnen que se passa no mundo real, com pessoas comuns e não há um protagonista poderoso com sonhos impossíveis. Aliás, os DOIS protagonistas são colegiais com um sonho DIFÌCIL, mas não impossível: Se tornarem mangakás… JUNTOS. Mashiro Moritaka, o Saiko, e Takagi Akito, o Shujin, começam a trabalhar juntos para tentarem produzir um anime, para completar a promessa que Saiko fez para a garota que gosta, Azuki Miho, a qual vai dublar a protagonista do anime dos dois. Doido? Leia e vai ver que há mais aí do que só isso.
A dupla divina…O mangá é obra dos mesmos criadores de Death Note: Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, que conseguiram colocar nesse aqui também sua genialidade. Death Note é conhecido por ser inteligente, através das deduções de Raito (Light no Brasil) e L. Aqui são Saiko e Shujin que aos poucos descobrem o árduo caminho de conseguir ter sua história publicada, quanto mais ter uma série em uma grande revista como a Weekly Shonen Jump. E isto que é um dos pontos fortes do mangá: Os capítulos são publicados exatamente na Weekly, então os personagens fazem referências à outras séries, já clássicas da editora Shueisha ou que estejam fazendo sucesso atualmente. Você pode notar a presença de Naruto, Bleach, Dragon Ball, etc. E é nesses mangás que Saiko vai buscar inspiração quando precisar aprender a fazer shonen.
Até que tem um bom motivo pro Saiko se esforçar tanto…Algo divertido de Bakuman é que você acompanha uma história que não enrola. O mangá tem um controle de tempo não muito linear, uma hora se passam apenas algumas dias, logo são semanas. Vemos então uma evolução rápida dos protagonistas, assim como os de alguns coadjuvantes. O pretenso rival da dupla, Nizuma Eiji, por exemplo, pode começar como um personagem arrogante, mas quanto mais ele aparecer, mais interessante suas cenas são. Assim como tantos outros que têm vontade de se tornar mangakás. Para essa trilha, a história é contada do ponto de vista de quem realmente gostaria de virar mangaká, os prêmios e as revistas são reais, então é como se a história estivesse contando como foi criada.
O estranho rival… Que cês acham?A arte de Bakuman é outro ponto forte. Os traços, mesmo que caricatos ás vezes, são super realistas, principalmente nos cenários, detalhados como vi poucos. Livros, mangás, casas, carros, tudo parece feito no photoshop e lançado no mangá e, se for o caso, combina perfeitamente com o tipo de história que é contado ali. As personagens femininas são bonitas e o fanservice ainda ajuda a deixar o clime do mangá mais leve. Não é um mangá de ação como a maioria da Weekly, cheio de poderes especiais. Em nenhum momento você verá Saiko desenhando na velocidade da luz ou Shujin lendo mentes para escrever roteiros. É o bom de Bakuman, é um simples mangá de relacionamentos com uma história inteligente feita para o público masculino. Fiquem ligados, Panini, JBC e NewPOP, há uma minha de ouro aqui.
» Tags: Bakuman, Críticas - Mangás, Takeshi Obata, Tsugumi Ohba, Weekly Shonen Jump
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